cotidiano

Final do primeiro semestre

No começo do ano passado resolvi me inscrever para fazer o Enem. Queria pensar na possibilidade de estudar algumas coisas que eu já gostava bastante e trilhar uma nova perspectiva para os anos depois dos 40… Um plano B para o meu já plano B. Em janeiro deste ano saíram as notas e pela primeira vez na vida, eu tinha pontuação para fazer o que eu quisesse, dos cursos que eu já tinha afinidade e pensava em entrar. Escolhi estudar artes mais por conta do horário (tardes) do que simplesmente pelo curso. Não estava disposta a fazer outra graduação de noite e consegui organizar os horários dos quiosques para estar na universidade.

As aulas começaram em julho e foi uma luta organizar a rotina nas primeiras semanas. A universidade é grande, sem sinalização ou mapa de onde ficam as didáticas (prédios onde acontecem as aulas). Perdida, caminhava bastante dando voltas homéricas, por ainda não entender que o ‘Moura’ fica ao lado do estacionamento onde meu carro estava, por exemplo. Me sentia cansada, emagreci – até entrar na nova rotina e me readaptar a estar na sala de aula, fazer trabalhos, ler textos no xerox, discutir pontos interessantes com o professor. Fazer novos amigos, trocar ideias, se interessar por coisas completamente novas, produzir. Quanta coisa gostosa neste tempo todo!

Chegamos a um final de semestre estremecidos com a PEC e enlouquecidos com os trabalhos finais. A turma foi afinando, perdendo um aqui, outro ali, para restar um grupo menor. As relações e grupos se consolidaram, as amizades ganharam força. Consegui finalizar o semestre com bons trabalhos e participação em quase tudo (só um professor ainda dará uma prova semana que vem).

Descobri que algumas coisas que eu amo e já investigo dão em linhas de pesquisa interessantíssimas. Estudo coisas que tenho prazer em ler, pesquisar. Visualizei um mundo novo e possível.

Vida empreendedora

Empreendedorismo feminino e o Jogo de Cintura

Nas minhas vagas ideias sobre meu futuro, eu sempre seria dona de uma empresa, quase nunca funcionária. Inspirada no meu pai empreendedor, via na liberdade de escolhas e horários uma das minhas prioridades no mundo laboral. De uns anos pra cá o empreendedorismo se transformou em uma coisa boa (ter negócio próprio sempre foi coisa de maluco) e podemos perceber um crescimento considerável de novas empresas geridas por mulheres. Surgiriam novos desafios e dificuldades, maneiras de liderar e de fazer o seu trabalho dar certo. As mulheres líderes fazem gestão de uma maneira diferente.

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Quando abri a Bela Prata fui pollyana ao extremo, como todo otimista precisa ser pra impulsionar o início: me dediquei horas e horas de trabalho, apliquei boa parte das lições que tive na faculdade de comunicação, nas experiências em marketing, na bagagem de vida que a gente carrega. Embora eu seguisse a cartilha de que ‘quando a gente faz com vontade e amor, tudo vai dar certo’, não foi bem isso que aconteceu. Num ponto comercial ruim e o investimento da vida que foi por água abaixo, me peguei desesperançosa e muito sozinha. Senti todas as cobranças sociais de quando a gente se arrisca, a família dizendo que não devíamos ter mudado pra tão longe, pra fazer algo novo. A conta no banco vermelha, os medos e as incertezas. Foi difícil fazer passar tudo isso.

Mas, como todo vento que sopra, nossos ares foram mudando, como tem que ser. A gente tem uma ilusão muito grande de que algo vai dar resultado em 1 ou 2 anos de trabalho. Não vai. Às vezes até vai, mas a regra é que ‘não vai’. É difícil ter de admitir isso, mas leva mais tempo. E quando você acha que está melhorando, acontece algum imprevisto do universo e lá vamos nós de novo, rebolar para fechar as contas no final do mês. Não acaba nunca.

Vivendo tudo isso, sempre pensei que eu não estava sozinha nesta história. Que existiam outras pessoas por aí, como eu, agarrada aos sonhos e desejos, apostando em uma perspectiva que não parecia melhorar. A gente vivia desafios muito parecidos e poderíamos ajudar umas às outras. Foi quando nasceu a ideia de se pensar coletivamente.

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Uma amiga muito querida afirmou que quando convidada para participar de qualquer coisa que seja ‘só pra mulher’, ela liberaria sua cota porque não queria fazer parte (de entrevistas, curadorias, etc) e ser segmentada pelo sexo. Não posso deixar de dar razão ao seu pensamento: enquanto estamos neste recorte, a exclusão em muitas vezes é reforçada. Enquanto a gente fica no gueto, não somos vistas nem tratadas como igual. Porém, embora não deixe de entender sua linha de pensamento, faço um caminho contrário e diferente: criando um grupo de mulheres para que, deste recorte de gênero, a gente se fortaleça, encontre maneiras de melhorar, crescer, representar.

Nesta semana foi dado o pontapé (depois de 2 anos e tanto de trabalho e ideias) do Jogo de Cintura, um coletivo de mulheres empreendedoras em Sergipe. Minha experiência em estar com grupo de mulheres tem sido muito bacana e sou motivada a seguir adiante. Acredito que precisamos ter estas duas frentes, numa existência paralela: alguém que brade que nós não devemos estar segmentadas – buscando a representatividade real entre todos – e os grupos específicos e especializados, para fortalecimento coletivo, em auto estima, conhecimento e atuação no mercado. Precisamos ter mulheres em posições de liderança porque a representatividade é extremamente importante. E, representadas, nós mulheres nos sentiremos ainda mais fortalecidas para conquistar nossos sonhos e desejos.

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Uma vez colocado a ideia além dos meus pensamentos e anotações, ela vai ganhando forma, corpo e adesão de outras mulheres. Logo que começamos a fazer os convites para colegas empresárias, a motivação de cada uma foi um impulso fantástico para sentir que estávamos no caminho certo. Fizemos nossa primeira reunião com 18 mulheres, como se conseguíssemos replicar o nosso impulso por 4. Foi um momento único e especial. Avante!

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