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Os seriados não americanos

Uma das coisas mais bacanas da Netflix pra mim é o acesso às produções estrangeiras. Filmes e principalmente televisão têm me atraído bastante – às vezes pela temática, em outra pela maneira de pensar, os valores, a forma de se posicionar na vida. Detalhes simples que nos apontam diferenças culturais interessantes, por exemplo: nos seriados europeus as mulheres envelhecem, como todos nós. As protagonistas ou personagens importantes da trama exibem rugas, não tem o figurino sensual o tempo todo, não são maternais tradicionais ‘como a maternidade é vista por aí’. As mães são fortes, duras, decepcionam e têm suas razões, uma das maneiras da gente se identificar com as personagens em profundidade. Os personagens não vem daquela construção maniqueísta rasa, em que o vilão é horrível e o mocinho é perfeito. Os homens são um pouco menos machistas, são personagens que sentem, se entregam, são menos puritanos. A culpa cristã e o moralismo não imperam, como os seriados americanos.

Os assistidos são:

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Tábula Rasa (holandesa) – que história doidaaaaa! A gente vai assistindo, assistindo e se envolvendo com os personagens – série do jeito que eu gosto! Boa parte de Tábula Rasa se passa entre o hospital psiquiátrico e as lembranças da personagem principal, uma mulher que, depois de um acidente de carro, perde uma boa parte da memória. Para conseguir desvendar o desaparecimento de outro personagem, ela precisa lembrar da história toda – numa trama que passa por traição, perdas, muito suspense e metáforas maravilhosas sobre o esquecimento (a areia vermelha é uma delas).

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Merlí (catalã) – Série do meu coração. Comecei a ver quando só tinha uma temporada disponível e esperei sair as outras todos os anos. A temática é adolescente e a gente acaba fazendo uma referência da Malhação – mas não é. Nela que mais vi temas que quase nunca são abordados nos seriados americanos e novelas brasileiras. Sexualidade (de adolescentes e adultos), valores de vida, relação pai e filho, uso de drogas, paixões proibidas e também assuntos mais sérios como a síndrome do pânico do personagem Ivan. O protagonista Merli é extremamente cativante, charmoso e encantador. A trama acontece em uma escola, mas não se limita a este ambiente. Fala da vida, das possibilidades, das nossas experiências e referências. Alguns episódios eu assisti querendo voltar no tempo e poder reviver um pouco da minha adolescência. Recomendo!

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Ministério do Tempo (espanhola) – diversão garantida! A Espanha possui um “Ministério do Tempo” cuja responsabilidade é manter a história do país. Dentro deste ministério, portas do tempo levam os agentes para locais e situações do passado espanhol, criando uma trama engraçada, cheia de história e de um figurino impecável. E tem muitas mulheres em posições de liderança – e, pelo menos no trabalho, tratadas como igual.  São 3 temporadas gostosas de assistir, com ótimos personagens e trama. Não se leva a sério, o que faz ter uma leveza necessária para brincar com fatos históricos.

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Please Like Me (australiana) – Sempre queria ver e ficava enrolando. O marido viajou e ela foi minha companhia nos 10 dias dele fora – assisti as 4 temporadas! A série conta a história de Josh, um jovem que sai do armário e se abre para o mundo das descobertas e de ser adulto. O protagonista é também criador e diretor da série – achei ele fantástico, rápido, inteligente e sarcástico na medida. A temática da série é uma das coisas que mais gosto: além de tratar da sexualidade do protagonista, ele fala sobre um tema que a gente pouco vê por aí, que é saúde mental. A mãe do protagonista tenta suicídio e o hospital psiquiátrico vira uma locação na série. Fala de diferentes problemas de saúde mental através dos personagens, como se comportar nestas situações, como entender um pouco melhor e como é passar por estes problemas. Tudo de um jeito leve, sincero, interessante. As cenas e assuntos sexuais dos personagens são ótimos porque, de novo, a gente não vê nas produções americanas e brasileiras. Assistir a outros países e perceber que há nuances em assuntos diversos, que graças a deus não é todo mundo que pensa da mesma forma, que o moralismo é tratado de diferentes maneiras pelo mundo. Por exemplo, o episódio da ‘galinha’ Adele entra no assunto sobre a responsabilidade sobre a carne que comemos de uma maneira tão bacana! Eu me apaixonei pelo personagem e fiquei triste quando acabou. Os episódios tem 22 minutos e a dancinha inicial é deliciosa!

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Dark (alemã) – foi considerada da “Stranger Things” alemã – mas vamos combinar, ela coloca a série americana no chinelo! A trama é envolvente e a loucura que vai acontecendo nos faz querer assistir tudo de uma vez! Tem também a questão das portas do tempo, como em Ministério do Tempo, mas com outro propósito para a história. Os personagens são muito bem construídos, os adolescentes fazem uma trama ótima – meio Goonies, meio suspense, meio filme do Spielberg sendo nostálgico com os anos 80. rs Aguardando a segunda temporada!

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A Louva-Deus (francesa) – esta trama é de seis episódios e interessante. Foi nele que a discussão da maternidade tradicional vem mais à tona. Uma serial killer na prisão perpétua passa a ajudar a equipe de investigação em um caso ‘copiado’ do que ela foi condenada. O detalhe é que ela só aceita ajudar se, seu filho, delegado de polícia e que não tinha tido contato desde sua prisão há 30 anos, dirigir a investigação. É uma trama interessante, policial, com esta questão da relação mãe e filho entremeando as cenas. Também uma forma diferente como se fala sobre família, amor, taras, tabus, etc. Vale a pena assistir!

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Empire of the Tsars (inglesa/russa) – esta é uma mini série documental (3 episódios) sobre a dinastia Rumanov,que comandou a Rússia por 3 séculos. Além de ter contato com uma parte da história que a gente só ouve dizer, é legal ver as construções e obras de arte russas, a arquitetura, como o povo foi formado. É incrível ver o extremo da caipirice com poder – a cara da nossa burguesia também! – e as consequências disso para uma nação. O atraso de desenvolvimento industrial por algumas birras de ditadores e como isso influenciou a vida daquela nação. Apesar destas observações, há muita riqueza e ostentação na Rússia e fiquei impressionada com quão conservados eram os prédios históricos. Maravilhosos! Pra aquele dia que você quer escutar boas histórias.

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Glacé (francesa) – série de trama policial. Gosto bastante também! =D Esta série não é maravilhosa nem tão bem construída como as outras que eu citei, mas é bacana, assistimos até o final. A maneira não americana de fazer um trilher policial também é interessante de se ver – embora o desenrolar desta história seja um pouco mais lento e não óbvio nos objetivos da série. Começamos investigando uma coisa e terminamos em outra. Mas ok. São só seis episódios – é um filme longo. Hahahahaha tem uma fotografia maravilhosa e paisagens de tirar o fôlego.