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Sinto como se tudo estivesse do avesso. “Upside down”, como na série Stranger Things. O mundo está ao contrário e ninguém reparou. Não foi exatamente de uma hora para a outra, mas desde o impeachment, me sinto em suspense. Como se estivesse ok todo o massacre que seguiu depois. Um governo sem representatividade. Banindo programas de lutas das minorias. Fazendo reforma na previdência e deixando o pobre ainda mais pobre. Não tocando em discutir impostos sobre heranças, nunca. Vamos tirar qualquer benefício de quem já não tem muito. Não tem muito porque não se esforçou o suficiente. Eu fui um trabalhador honesto e com muito esforço me tornei prefeito de São Paulo. A primeira dama nunca pisou seus pés na cidade. Flutua entre o Jardins e os aeroportos. O ministro da educação diz que professor tem regalias. Re-ga-lias. Professor. Meu deus. Meu deus. O mundo está ao contrário e ninguém reparou. As universidades públicas têm suas verbas cortadas em 45% dos já cortados 50%. Fies pra pobre estudar? Nada disso, corta também. Pré-sal, aquele que era nosso? Deixa os gringos levarem. Encho meu bolso de grana, entrego, sem dó, pra quem me pagar mais. Panelas? Nunca mais bateram. Faz pouquíssimo tempo e a gente tinha esperança. “Esta crise aí veio só pra colocar os pobres no lugar”, uma amiga, profeta que só, disse em 2014. O brasileiro que começou a comer iogurte e a comprar a melhor marca de arroz do supermercado repensa seus ‘luxos’, seus pequenos prazeres. Nós apertamos o cinto, muita gente ainda mais, enquanto que, quem é rico de verdade, não sente nem a marola. E tem gente que apoia. E tem gente que acha certo a PEC 241. O que a gente vai dizer, deste mundo do avesso, desta realidade paralela? Mais um domingo, mais uma segunda. Uma segunda seguida da terça.