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A vida própria dos cachos

Meus cachos são temperamentais, como tudo o que deixamos ser como são. Reagem às diferentes águas recebidas, à umidade do lugar, aos dias de chuva, à falta de casa.

Em Londrina se sentiram agraciados pela água paranaense – mas confessaram estranheza ímpar ao serem únicos em sua espécie, naquele restaurante de comida alemã da Warta. Cachos amam ‘encontrar os seus’ e os meus viram na ‘elite emergente’ a solidão de ser natural. Únicos, porém.

Em São Paulo demoram a se acostumar com a água racionada da crise hídrica. Ganham volumes extras, perdem a forma mais solta e dependendo do ambiente, também são solitários (naquele shopping na Vila Olímpia foram olhados com tanta estranheza que pensaram ser de outro mundo).

De volta ao lar, eles secarão ao sol e com o ar ‘úmido perfeito’ de Aracaju, ganharão formas definidas, tipo propaganda de xampu. Seria uma combinação de água ‘da Deso’ + a umidade ou a alegria de voltar para casa, responsável por esta felicidade toda em forma de cachos definidos?

Só sei que os cachos têm vida própria, respondem ao ambiente em que estão, suas águas e ar. E passeando pelo Brasil, vou ganhando uma cara nova a cada parada.

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