Sem categoria

a página em branco

maquina

Vamos lá, uma página em branco. Fico aqui conversando com a minha cabeça inquieta, pensando em como preencher. Passo horas, horas, hooooras na frente da tela, me distraindo com tudo o que aparece. Acho que devo picar os papéis do ano passado. Nossa, como o chão tá sujo, vou varrer. Fui buscar a vassoura e vi uma tesoura no meio do caminho. Estas samambaias precisam de uma poda, não precisam? Talvez até água. Vou trocar estas plantas de vaso. Sujei as mãos a manhã toda, já tá na hora do almoço. Preparo tudo, faço suco, salada. Almoçamos. Volto ao computador mas ele me odeia. Me distraio com livros, cadernos, carimbos, lápis de cor, estampas. Atendo telefones, respondo mensagens, acho que devo responder aquele e-mail que está mofando na caixa de entrada há mais de um mês. Penso em muita coisa. Frases vão se enrolando, caraminholando nas ideias. Fico aflita, não consigo escrever. Começo, acho tudo idiota, acho tudo sem necesidade. Acho muito egocêntrico. Travo, de novo. Há meses travada. Penso nos julgamentos, que é inútil escrever, que ninguém quer ler sentimentos. Desligo o computador, já anoiteceu, vou me preparar para voltar pra vida da casa. No banho, os textos vão se desenrolando, frases vão se transformando em parágrafos, ganhando estrutura. Penso em escrever pelo celular – travo de novo. Ligo o gravador e penso ‘vou falar em voz alta todas estas coisas que ficam na minha cabeça’. Travo pela milhonésima vez. Vou deitar, elas me perseguem de novo. Tento escrever à mão e também não sai. Acredito que depois de uma boa noite de sono vou destravar. Acordo no dia seguinte revigorada, sento na frente do computador e a página em branco me desafia. E começa tudo de novo, num looping eterno.