cotidiano

sobre estes dias

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Escrever, pra quê escrever? Agora é mensagem de voz, o seu celular não grava, não? Ah, tenho preguiça de digitar, vou logo e gravo o que eu queria dizer. Mais fácil. No filme? Dublado, né? Tem dias que me dá preguiça de ter que ler pra entender. Aí, se já ouvir na dublagem, posso prestar mais atenção no filme. Notícia? Sei tudo pelo whatsapp. Você já tá sabendo que os radares de Aracaju já estão funcionando? (não, não estão) Eu recebi no whatsapp e aí, o escritório da minha advogada publicou também. Certeza! Nem entro em portal pra ler notícia, só pra ver as fofocas de famosos. Deixa eu te mostrar uma foto do batizado do meu filho. Fizemos um festão, precisa ver! Meu sobrinho tirou foto, que o celular dele é melhor. Com os celulares de hoje, pra quê fotógrafo? Escrever? Pra quê você escreve, menina? O povo não gosta de ler, não. Você não grava mensagem no whatsapp?

 

(pensei imediatamente numa época sem internet ou publicações mensais, quando nossos poetas e romancistas clássicos não faziam nada além de escrever para os poucos, muito poucos, que sabiam ler.)

Meu olhar Minha vida

O que inspira você?

Tenho períodos iluminados de inspiração e outros que se assemelham a um deserto. Para os períodos férteis, um bom caderno me ajuda a capturar as ideias. Quando a fonte natural seca, é hora de olhar para os cadernos. Um círculo vicioso.

Pessoas me inspiram. Quando vejo pessoas aparentemente comuns realizando coisas legais, sinto-me inspirada. Penso comigo: ‘Pô, eu posso fazer isso também!’, e me dá vontade de virar o Forrest Gump e correr, correr, correr! Há alguns anos tenho buscado ter mais foco para os meus sonhos e desejos e aprender a plantar, cuidar, para então, colher.

No último carnaval, li uma entrevista da Mallu Magalhães na revista TPM (nesta matéria aqui) em que ela diz que sua noção de sucesso é querer fazer algo, ir lá e fazer. “Mudar de lugar é a coisa mais saudável que o artista pode fazer – não a mais perigosa. Quando você muda, surgem novas inspirações, novos medos, e você abandona medos antigos, porque agora você está preocupado com seus medos novos. É uma renovação de espírito e da sua fonte de trabalho. Lógico que eu tinha medo de ir pra lá e não ser legal. Estava gastando a maior grana na mudança, é um investimento. Mas, fora isso, eu sempre soube que tudo é possível. Isso é um fundamento tão básico na minha vida que alguns medos nem passam na minha cabeça.”

A inspiração vem também com um sopro de liberdade e confiança.

Um vídeo de parte desta entrevista, que está completa para ser lida no link Mulherão: Mallu Magalhães

Em tempo: sempre torci o nariz para o fenômeno ‘Mallu Magalhães’ e nunca curti  suas músicas. Porém, depois desta entrevista, passei a olhá-la de outra forma, como uma garota legal que eu adoraria trocar ideia. Mas sem precisar ouvir o som que ela produz. rs Tudo bem, né?

Meu olhar Minha vida

Gray Hair

A mudança já começou. O tempo vai passando e os cabelos insistem em nascer brancos. Acho um absurdo completo quando percebo uma traição capilar: metade de um fio ainda preto e a outra metade, branco. Eles foram chegando aos poucos, brilhando tão forte que pensei que tinham algum componente de neon. Era um espanto e uma surpresa encontrar um, dois, perdidos na minha vasta cabeleira. Passou-se três anos das primeiras descobertas e já não dá mais para arrancá-los, como medida para ‘disfarçar’. Se para cada um que arrancamos nascem outros sete, estou condenada.

Um time de vôlei de cabelos brancos aportou na minha franja e já montaram acampamento. Não dá pra evitar. Meus cabelos, pretos naturalmente, ganham novas nuances, ainda tímidas, de fios platinados, brilhantes, grossos, duros – alguém aí consegue me mexplicar por que os cabelos brancos nascem tão rígidos, iluminados, gritando ‘estou aqui!’?

Apesar de achar que ‘tem uma quantidade absurda de cabelos brancos na minha cabeça’, ainda consigo disfarçá-los dependendo do penteado. Vivo pequenos dilemas solitários – ‘não quero pintar o cabelo, vou ter que pintar o cabelo?’ – por que, afinal, mulher grisalha é sinônimo de desleixo, descuido, de ter deixado a vaidade de lado. Até quando seremos escravas das nossas cobranças, do nosso olhar torto diante da vida?

Universo, vamos fazer uma troca? Desejo que a cada novo cabelo branco na cabeça, uma sabedoria a mais no meu dia a dia. Um alívio diante das cobranças infinitas do que é ser mulher. Um conceito revisado do que é ser bonita, do meu real valor, do que realmente importa. Queria sentir que a cada cabelo branco, minha coroa vai sendo adornada – por que é que desejamos ser jovens ao invés de ser sábio?

Uma galeria de mulheres lindas, estilosas, poderosas e de cabelos brancos. 

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